19.10.05

Pertencer

Não há nenhuma novidade em afirmar que as pessoas nunca estão satisfeitas com o que tem. Sempre então em busca de algo mais, algo que as completem, que as preencham. Acreditam que se tivessem aquilo que almejam neste determinado momento se sentiriam mais felizes, plenas. Este é um ciclo sem fim.
Ainda assim, é natural que se busque a renovação, pois ficar parado, estagnado, é sinônimo de morte. Faz parte da vida, portanto, a mudança.
Bom seria, entretanto, que além toda esta força direcionada à mudança externa também fizesse parte da nossa vida a mudança interna, a mudança de atitude.
Poderíamos começar com as atitudes que sempre questionamos em nosso comportamento. Algumas bem banais como brigar no trânsito; estar sempre apressado quando isto não faz, realmente, diferença; fazer pré-julgamentos; não ouvir, quando deveríamos ouvir ou não falar, quando deveríamos falar.
Outras atitudes, mais camufladas, que comprometem todo o nosso modo de ver a vida, então, nem se fala... Um exemplo claro é a nossa tendência de confundirmos possuir com pertencer.
Buscamos sempre possuir algo, quando no fundo, bem lá no fundo, queremos apenas pertencer a algo. Imagine como ficaríamos mais leves, mais alegres se, em vez de possuir tanto, pertencêssemos, apenas.
Acompanhe...
Possuir é passado, pertencer é presente... atuando
Possuir é estar do lado de fora, pertencer é estar do lado de dentro... acolhido
Possuir exige exclusividade, pertencer é coletivo... Permite-nos compartilhar.
Há uma propaganda maciça convidando todo mundo a possuir todo tipo de coisas, sejam carros, roupas, perfumes, etc., e lá vamos nós em busca de tudo isso. Possuir, para nós, representa segurança. Sabemos, no entanto, que tudo isso são bens efêmeros. Num passe de mágica viram passado, num estalar de dedos podem ir para outras mãos. Nada disso realmente é nosso ou ficará conosco na nossa jornada pela vida ou, após ela.
Pertencer não. Pertencer faz referência a um outro plano de relações. Quando pertencemos a uma família, a uma associação, à alguém, estamos nos nutrindo. Nossa relação é de troca. Haveria uma revolução no nosso país, na nossa cidade, no nosso trabalho, no nosso bairro se, ao invés de olharmos o mundo a nossa volta com referências a partir do que possuímos, olhássemos a tudo com a referência pessoal de que a tudo fazemos parte.
Mude de atitude!
Amanhã quando um novo dia começar, procure olhar para tudo como alguém que pertence a tudo o que o cerca e não se surpreenda se isso fizer você se sentir mais forte, mais encorajado, mais responsável e, mais feliz.

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