20.10.05

“Sim” que é “Não” e o “Não” que é “Sim”

Trechinho do texto de Reinaldo Azevedo: "A vitória do “Sim” que é “Não” aproximará o cidadão comum do submundo, que vai lhe fornecer a arma. A proibição só será virtuosa se inócua. Ou imaginemos a eficácia total: arma passa a ser monopólio do Estado e do crime organizado. Como o Estado jamais atende o telefone, bastará ao bandido dotado de seu “meio de produção” tocar a campainha de nossa casa e levar o que for de seu agrado. Terá estuprado o nosso direito, mas não nos terá matado, como diria Kant. Ou não foi ele? Alguém garante que ficarmos expostos aos bandidos é um mal menor do que eventuais acidentes domésticos com armas? Queria ser bacana como os artistas do “Sim”, alguns sempre acompanhados de seguranças — armados, claro — como cansei de ver no Aeroporto Santos Dumont. Também há empresários simpáticos à causa. A vitória do “Sim” criará a aristocracia da bala: alguns terão o direito constitucional à segurança armada, privada, legal, exercida por empresas. O resto que faça a negociação direta com o crime. É o máximo do Estado mínimo!"
Não é que eu queira votar pelo "não" que é "sim" às armas. Mas sinto ser uma temeridade fazer a escolha errada. Depois de tudo o que se discutiu nos últimos dias, o apelo que mais me chamou atenção foi feito por um amigo que mora em um sítio afastado. Ele disse que precisa ter arma em casa para se defender, mesmo que seja um mero tiro para o alto. Lembra que o Brasil é imenso e que não se resume a centros urbanos e que, para ele não adianta chamar 190, mesmo que o Estado atenda a chamada.

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