29.11.05

Blog para mim é...


Gostaria de falar um pouco o que descobri sobre a blogosfera nesses dois meses de blogagem do Pinkareta.
O mais importante foi ter feito novos amigos. Diferente daqueles que conhecemos no bar, nas festas, no trabalho. Esses novos amigos eu não conheço pessoalmente. Raros são os que colocam fotos em seus Blogs, não que isso seja relevante. Sabemos que um mora em Brasília, o outro em Washington, outro em Porto Alegre e tem aquele lá no Canadá. Um é casado, outro tem filhos do primeiro casamento. Muitos são estudantes, outros sábios macacos velhos. De muitos poucos sabemos suas profissões, ou sua rotina de vida, seu poder aquisitivo. Isso não tem importância nenhuma, o que vale mesmo são suas palavras.
Quando conhecemos alguém pessoalmente levamos horas, senão dias ou semanas, para conhecer o ser que habita aquele corpo, que nos seduz por sua beleza, ou nos é indiferente. Não porque somos realmente levianos, mas porque precisamos avaliar o território antes de nos expor tanto. Mas, quem tem medo de se expor num Blog? Somos praticamente anônimos. Assim, através de seus Blogs conhecemos, primeiro, o que há por dentro dessas pessoas fantásticas. O ser autêntico. E nos apaixonamos por muitos deles.
Cada novo Blog é uma nova descoberta. Há neles momentos hilários, profunda reflexão, imagens que nos convidam à contemplação silenciosa, sábias palavras que nos fazem repensar as mais acirradas convicções, outras que nos instigam a vociferar aquilo em que acreditamos, e quase sempre, total abstração da nossa vida.
Blogs são asas para voar, viajar por aí e dentro de nós mesmos. Um vício, e apenas um vício porque é bom DEMAIS!

26.11.05

Crime "passional" - Horvallis

Achei incrível esse post no blog da Horvallis - Acho que vem bem de encontro com meu post para a blogagem coletiva contra a violência à mulher, que está logo depois.

Crime "passional" - Violência (III)
"O crime passional não existe : o crime é perpetrado em um contexto sexista por homens incapazes de fazer o luto de um relacionamento patologicamente fusional", diz Gérard Lopez, em um artigo publicado na revista Cerveau & Psycho n°12. Ele explica que os autores de crimes ditos "passionais" geralmente não têm problemas psiquiátricos. Que esse crime não é um crime por amor, mas um crime por amor-próprio, ou, mais precisamente o crime de quem falta de amor-próprio, isto é que sofre de precariedade narcissista. E ele lembra : "Não se deve nunca esquecer que o criminal, quer que seja a fraqueza dele, acha nos estereótipos sociais, no sexismo comum, na lei do mais forte, na valorização social da masculinidade e na promoção desenfreada da competição social, as racionalizações que lhe servem para justificar o seu ato."As estatísticas mostram que por comparação a mulher mata muito raramente o companheiro, e que quando ela o faz, é, na maioria dos casos, para proteger a sua família da violência.

God would have mercy...


Eu deveria escrever sobre a violência contra as mulheres, mas eu queria muito mais ir à raiz do problema, do que fazer um texto de protesto. Por isso resolvi falar sobre os homens. Afinal, são eles os agressores. É neles que está a fúria destrutiva, a raiva, a brutalidade.
Há semanas que venho matutando o assunto, mas antes que eu continue, preciso dizer que não sou uma mulher magoada, oprimida, rejeitada ou frígida, como são tachadas todas as mulheres que apontam o dedo na direção dos homens. Sou, ao contrário, uma entre tantas que admira a virilidade masculina e, sendo honesta comigo mesma, só de falar a palavra virilidade sinto um frenesi entre as pernas. Assim, sou mais uma seduzida pela força e o poder masculino. Entretanto, acredito que, justamente, a admiração excessiva nessa força é que é o “X” da questão. A glorificação do poder masculino está presente em toda a história da humanidade, profundamente enraizada em suas crenças. Mas, como tudo no mundo, existe duas faces dessa mesma energia. Horrorizamos-nos quando ela se manifesta em guerras, violência, torturas e a admiramos quando ela se manifesta nos esporte ou na luta pela justiça.
Acho que estamos perdendo o equilíbrio saudável que permeia tudo o que é bom e, portanto, levanto duas questões, que não são nenhuma novidade:
1) Será que o mundo não seria melhor se fosse edificado a partir do poder feminino, que é a essência da alma das mulheres?
2) Se não, já não seria a hora de pararmos com essa idolatria masculina do poder?
Todo excesso faz mal. Muitas vezes, nós mulheres, somos lembradas que, somos nós (mães) que educamos nossos filhos homens. Isso é verdade, mas os educamos seguindo um rígido padrão já pré-estabelecido. Ninguém quer ceifar a natural virilidade dos guris que bradam as espadas pela causa nobre, mas ninguém agüenta mais o estereotipo do machão. O Rambo é tão coisa do passado que me espanta que as pessoas tenham, ainda, tão incorporada essa coisa do herói americano. Esse cara não existe! Todo mundo sabe disso, mas, por exemplo, fiquei chocada quando na passagem do Katrina sobre New Orleans, aquela gente toda, e o mundo também, ficou esperando o fantástico show de eficiência que a gente tanto vê nos filmes. Nada de show, nada do cara que sabe exatamente o que fazer. Isso, para mim, é o retrato fiel do barco furado, do delírio coletivo no qual a humanidade mergulhou sem se dar conta das conseqüências reais dessa fantasia desenfreada.
Quando existe violência é o Rambo bestial que parte para ignorância, mas essa fera só está à solta dentro dos nossos homens porque a humanidade, há milênios, acredita que esse é o único caminho possível. É claro que existem exemplos maravilhosos de homens sábios, mas esses exemplos estão perdendo de longe na balança que conta a nossa história.
Esse post faz parte da blogagem coletiva contra a violência às mulheres.
A lista dos blogs participantes está em http://www.sindromedeestocolmo.com/

22.11.05

Cheguei... cheguei


Minas é mesmo um encanto... Fomos apenas à Itajubá, que em si não tem nada de especial, apenas a praça central, gente boa, família e aquele deixa estar que vai contagiando a gente, devagarzinho, meio sem fazer força, até que você, no primeiro dia de volta ao mundo moderno, se vê na internet, procurando sítio para comprar lá para aquelas bandas.
Tem coisa mais bacana do que juntá a família e deixá a criançada brincando com os primo. Um corre prá cá, outro prá lá, pelo quintal de terra... Outro sobre na mangueira... Os cachorro tudo doido embaixo querendo subi tamém.
Daí, de tardezinha, vem aquele café quentinho com broa... Depois um passeio na praça para tomar sorvete. A filha pede picolé de amendoim... E não pense que o povo é atrasado, não! Pois as novidades também já chegaram lá e, na mesma praça, coexistem o bar antigo, com o tio dos picolés caseiros e a sorveteria self-service. Na caminhada pela praça a gente encontra mais gente conhecida nas mesinhas dos bares, bebericando cerveja e acompanhamentos (típicos ou cosmopolitas, ao gosto do freguês. Os da terra pedem batatinhas fritas , pizza aperitivo e os turistas língua fatiada ao molho especial)
No bar da esquina, o telão virado para a praça hipnotiza a maioria dos homens. É o futebol no sangue brasileiro... O som do narrador, comentaristas e gols são o plano de fundo do domingo à tarde, na praça central. Um som que está na minha memória de criança... Num sítio de casarão antigo e um avô sentado na varanda com o rádio ligado e o pé descalço no chão. O cafezinho no copo de vidro. E toda a coleção de Estadinho (quem lembra?) guardada com carinho para quando a neta chegar.
O universo caipira é tão rico e deixa mais saudades que todo o conforto tecnológico.

17.11.05

Homem Negro

Estou indo viajar com a família. É bom sair um pouco. Vou para Minas curtir um pouquinho de doce-de-leite com queijo fresco, leitão à pururuca e tudo o que Minas tem de Bão!
Antes, porém, vou dividir com vocês um poema que eu adoro e que foi escrito por minha querida amiga Helena. Esse poema ficou comigo por mais de 20 anos, bem guardadinho nas típicas caixinhas de recortes e cartas de adolescentes. Durante todo o tempo que ela esteve fora do país, nós só tivemos rápidos momentos juntas. Estou feliz por tê-lo guardado todo esse tempo e muito mais feliz por ter tido a oportunidade de devolver o poema à minha amiga, que agora está de volta para ficar... espero.

Homem Negro

Numa cela fria e grudenta, um corpo moído se move.
Um leve ruído encobre o silêncio da morte.
Um Luar pálido, solitário.
Um vento frio e tenebroso perfura a parede quase corroída pelo tempo.
Um gemido fraco e surdo ecoa no espaço.
É um gemido de dor forte, de homem negro, de tempos longínquos, de épocas inesquecíveis.
É gemido de alma despedaçada de tanta saudade.
Saudade de terra quente, de praia virgem.
Saudade do deserto árido e seco.
Saudade de festa pobre.
Saudade de coração nobre.
É também saudade de liberdade.
Liberdade que o próprio ser humano lhe vedou.
Liberdade esta, que a natureza lhe dera de presente, mas que pela pobreza de sua gente não pode subsistir.
Seu olhar sofrido e cansado denota angústia, fraqueza, solidão.
Seu corpo forte e rijo é culpado dessa escravidão.
Não sabe se chora, se ignora.
Força, não tem mais.
A reação é pouca.
Sente em cada hálito o inferno da escravidão.
Melhor esperar a morte, pois sorte, no meio de tanta injustiça, é esperar em vão.

11.11.05

Reflexões para o dia de hoje


O Hoje é e será.
O ontem foi e tem sido.
Meu ontem é o que fiz dele.
Vejo-o na memória perfeito ou imperfeito.
Meu hoje é o que farei dele. E quero fazê-lo perfeito.
As coisas que tenho de fazer são as coisas que eu quero fazer.
Farei hoje aquilo que pertence ao hoje e não temerei pelo amanhã,
tampouco terei arrependimentos por ontem.
Meu dia será pleno, não precisarei apressá-lo nem desperdiçá-lo.
Tenho o poder de construir o dia ou de destruí-lo.
Se destruo o dia, estarei construindo dez dias mais, quem sabe
dez vezes dez, para desfazer essa destruição.
Se construo o dia, te-lo-ei vivido para a Glória de Deus,
no preenchimento daquela parte do Seu Propósito
que me cumpre preencher.

Texto de Walter Russel: Músico, Artista, Escultor, Arquiteto, Escritor e filósofo americano
Pintura de: Diji (http:/dijispaintings.com)

10.11.05

Pesquisa Verbeat Blogosfera Brasil

Participe da Pesquisa Verbeat Blogosfera Brasil

A Pesquisa Blogosfera Brasil é uma iniciativa Verbeat - uma não-organização, não-governamental e não-ideológica criada por Leandro Gejfinbein e Tiago Casagrande. O objetivo é levantar o perfil do blogueiro e da própria blogosfera. Estará disponível para participação de 10 à 25 de novembro. Os resultados serão depois publicados na Rede, para acesso irrestrito. As pessoas levam, em média, menos de 10min para responder o questionário
Vale a pena participar e divulgar.

9.11.05

Realização Pessoal


Hoje, no blog da Flávia, li uma postagem digna de discussão. Ela está preocupada com o futuro dos nossos jovens tão sem opções. Esse é mais um triste retrato do Brasil. Como oferecer algo renovador? Que muitos dos nossos jovens sejam ainda filhos de pais despreparados não é surpresa nenhuma. Só alguém realizado pode estimular outro à busca pela realização pessoal. Sempre achei que será preciso uma geração inteira recebendo atenção especial à educação para mudar tudo isso. Mas, vou contar outra coisa que me obriga a estender meu pensamento um pouquinho. A Europa vive um caos, basta acompanhar os tumultos que estão ocorrendo na França e hoje também, em Portugal. Eles não sabem o que oferecer mais aos jovens.
Quando fui à Inglaterra, terra de meu pai, eu estava tremendamente ansiosa para conhecer a cara de um povo que tem boa educação gratuita, fornecida pelo Estado, desde o berço. Que gente maravilhosa eu estava para encontrar! Quase morri de desgosto. A grande massa, com acesso ao melhor, ainda vivia apenas para o pão e o circo e não queria nada mais do que isso. Meu Deus! Juro que desejei mandar toda a nossa gente, tão carente, para lá e vice-versa. Eles, aqui, dariam valor ao que têm e os nossos, lá, descobririam um MUNDO DE POSSSIBILIDADES!
Então, cheguei à conclusão de que não basta dar educação, há de se enriquecer o espírito também.
Vale a pena ler o texto da Flávia e aproveite para ler o post sobre a Guerreira. É essa a riqueza de espírito que faz a diferença. Isso ainda me lembra as palavras da minha mãe quando tive que estudar em colégio público nos anos mais cabeludos da nossa família; ela dizia: "Há aqueles que tiram o máximo do mínimo e aqueles que tiram o mínimo do máximo".

Brasil! Que cara é essa?


Os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, acusados de envolvimento na morte do casal Manfred e Marísia von Richthofen, em São Paulo, em 2002, deixaram nesta tarde a Penitenciária. A decisão é uma extensão dos efeitos do habeas-corpus concedido no final de junho à Suzane, que aguarda o julgamento em liberdade. Ela foi libertada no dia 29 de junho, após decisão do STJ. O casal foi morto a pauladas pelos irmãos Cravinhos. O motivo teria sido a proibição do namoro de Suzane e Daniel.

Detesto falar sobre coisas amargas. Prefiro sempre ver o lado bom de tudo. Mas, para a minha surpresa, percebo que aqui no Brasil, cada um de nós tem o direito de matar uma pessoa. Mas, atenção! Uma pessoa apenas! Se você for réu primário, existem muitas atenuantes ao seu favor, então aproveite. Escolha bem quem você vai querer eliminar. Esse é o lado amargo de uma lei que te protege caso cometa um crime por acidente, sem querer. Mas até onde isso vai?
Em Sousas, um sócio da padaria que eu freqüentava matou o outro por desentendimento financeiro. Os dois discutiam ao telefone até que o primeiro disse que ia à casa do outro resolver o assunto pessoalmente. O segundo abriu a porta e recebeu chumbo a queima roupa. Até onde sei, o assassino está solto, a padaria fechada e duas famílias destruídas.

7.11.05

Meu sonho impossível

Viver, de forma consciente, pelo menos três vidas ao mesmo tempo.

Seria Nora. A romântica Nora, criada pela iludida classe média. O zelo de um lar amoroso fez crescer a vulnerável Nora. Não faria nada que pudesse por em risco sua segurança. Cursou pedagogia, jamais exerceu. Somente no piano encontrou a sintonia com sua alma. Agora, arrebatada por um amor viajante, jaz complacentemente entregue ao torpor dessa paixão.

Seria Antonina, cabocla de coxas grossas e sangue quente. Mulher guerreira. Vive no morro e trabalha de servente num edifício lustroso da Paulista. É mulher do nego Tucumba, com quem se enrosca num frenesi suado todas as noites. Perdeu um filho, menino ainda, para a marginalidade. Nunca mais o viu. Aos sábados, agita a imaginação dos homens e mata o nego de ciúmes no pagode.

Seria, também, Suzane. Mulher de destaque. Jornalista bem sucedida. Magistral com as palavras proféticas que cativam ouvintes atentos por todo o país. O mundo lhe cabe na palma da mão e seus pensamentos abraçam o Universo.

Seria assim. As alegrias e tristezas de cada vida seriam o alimento da minha alma múltipla. Viveria a plenitude de cada uma porque, consciente de não ser apenas uma, mas todas, não lamentaria jamais por experiências não vividas.

3.11.05

Malhação é bom e eu gosto

Hoje a Denise Arcoverde me disse que está de bom humor porque vem malhando muito, como eu. Depois disso achei que o assunto merece um post. Nunca entendi a paixão masculina pela musculação. Pensava e pensava e só conseguia imaginar que era pura idolatria masculina pelo próprio corpo. Algo como: - Olha só como eu sou gostosão! Saradão assim, ninguém pode comigo. O próprio cara babava na frente do espelho admirando sua imagem. Algo muito parecido com as intermináveis horas femininas acertando o cabelo, refazendo a maquiagem, cuidando das unhas, escolhendo roupas.
Só recentemente descobri que por trás da malhação há também muito prazer. Como imaginar que sentir os músculos queimar de dor seja algo gostoso? Não é que a esperta aqui não saiba nada sobre saúde e bem estar. Ao contrário, adoro esses assuntos e bem sei sobre liberação de endorfinas e coisa e tal. Mas, malhar! Isso não, tenha dó!
Acontece que há algum tempo fui passar uns dias em Itajubá – MG, visitando um lado da família. O ápice do encontro familiar foi ir ao clube passar o dia. Foi maravilhoso! Havia décadas que não caia numa piscina olímpica. Dei braçadas até a exaustão. Mergulhei inúmeras vezes e atravessei, ou melhor, tentei atravessar a piscina umas tantas outras. Algo dentro de mim, já esquecido, voltou com força total. Eu me lembrei que adorava nadar. Mas nadar mesmo! Atravessar piscinas enormes, coisa que só clube tem. Eu vivi minha infância ao lado de um clube. Passava horas em profunda meditação, eu e a piscina. Era peixe, e peixe me tornei de novo.
Enfim, ficamos sócios de um clube perto de casa. O maridão passa a jogar futebol, a filha faz ginástica e a mãe fica feita barata tonta esperando o verão chegar? De forma alguma! Então que tal fazer musculação? Tem flexibilidade de horário, o que vai bem de encontro com minha rotina de trabalho. OK, relutante, eu resolvi tentar.
A.M.E.I.!
Que mais posso dizer. Apenas que a cada dia, olho no céu cheia de esperança de ver um dia de sol para ir nadar. Pegar a filhota depois da aula, juntas cair na piscina, malhar um pouquinho e ficar feliz... de bem eterno com a vida!

2.11.05

Ah! O amor!

Falar de amor monogâmico inspira grandes reflexões e o blog do Roberson me lembrou de uma antiga estória de família. Era um ditado passado de mãe para filha desde muito, muito tempo. Quem contou para mim foi minha mãe, mas sei que ela ouviu da minha bisa. Ela dizia o seguinte: “Casamento é como carrocinha chinesa, um puxa e o outro senta. Normalmente quem começa a puxar é o homem que, galantemente coloca a mulher na carrocinha. Mas, como é da natureza da mulher ser solidária, ela desce e passa a caminhar ao lado do seu homem. Até aí tudo bem! Mas, esteja alerta disso, existem alguns homens que rapidamente sobem na carrocinha e nunca mais descem.” Por isso, minha filha, nunca desça da carrocinha.”
Por muitos anos achei pitoresco e fora de contexto dos tempos atuais. Como não descer e andar junto ao seu companheiro? Afinal esses são outros tempos, tempos de partilhar. Mas hoje reconheço valores escondidos nas entrelinhas: Nunca desnudar todos os mistérios.
Beijos eternos para você Bisa Angelina!

1.11.05

Pelo sim e pelo não vamos de Halloween


Como não dá para ir ao México curtir o dia dos Mortos, entramos de cabeça na festa de Halloween do condomínio. Todo ano é feita uma festa no salão e depois a criançada sai de casa em casa pedindo doces. Para alegria da filhota, de nove anos, cuidei da decoração na frente da nossa casa. Um sucesso total! Eugênio, o fantasma, foi a melhor atração da rua.

Halloween X A festa dos Mortos no México

Na noite de 1º de novembro poucos dormem no México. Nos povoados e cidades há música nos cemitérios, velas e comidas sobre as sepulturas. Na véspera do Dia dos Mortos não se chora pelos ausentes. Festeja-se com o espírito dos defuntos que como em cada ano, viajam para estar com suas famílias na noite dos mortos. Os mortos chegam no dia primeiro de novembro e podem passar um dia com os parentes vivos. São buscados nos cemitérios e guiados até as antigas casas por caminhos de pétalas e luzes e lanternas de velas. Todo o México se prepara para bem receber os "muertitos", como carinhosamente os chamam. Os pratos prediletos, os enfeites, os aromas, os jogos e até os vícios do morto são lembrados nesta data. No dia 2 é a hora da despedida. São então levados de volta aos cemitérios. Ano após ano a data é celebrada como uma das mais importantes do folclore nacional. Em algumas regiões as festas são mais tradicionais, mas todos param para celebrar a data.

O Halloween é comemorado na noite de 31 de outubro. No aspecto religioso, esta ocasião e conhecida como a vigília da Festa de Todos os Santos, dia 01 de novembro. Estudiosos de folclore acreditam que os costumes populares do Halloween exibem traços do Festival da Colheita, realizado pelos romanos em honra a Pamona (deusa das frutas), e também do Festival Druida de Samhain (Senhor da Morte e Príncipe das Trevas) que, de acordo com a crença, reunia as almas dos que tinham morrido durante o ano para levá-los ao céu dos druidas neste exato dia. Para os druidas, Samhain era o fim do verão e o festival dos mortos. 31 de outubro marca também o termino do ano céltico.