17.11.05

Homem Negro

Estou indo viajar com a família. É bom sair um pouco. Vou para Minas curtir um pouquinho de doce-de-leite com queijo fresco, leitão à pururuca e tudo o que Minas tem de Bão!
Antes, porém, vou dividir com vocês um poema que eu adoro e que foi escrito por minha querida amiga Helena. Esse poema ficou comigo por mais de 20 anos, bem guardadinho nas típicas caixinhas de recortes e cartas de adolescentes. Durante todo o tempo que ela esteve fora do país, nós só tivemos rápidos momentos juntas. Estou feliz por tê-lo guardado todo esse tempo e muito mais feliz por ter tido a oportunidade de devolver o poema à minha amiga, que agora está de volta para ficar... espero.

Homem Negro

Numa cela fria e grudenta, um corpo moído se move.
Um leve ruído encobre o silêncio da morte.
Um Luar pálido, solitário.
Um vento frio e tenebroso perfura a parede quase corroída pelo tempo.
Um gemido fraco e surdo ecoa no espaço.
É um gemido de dor forte, de homem negro, de tempos longínquos, de épocas inesquecíveis.
É gemido de alma despedaçada de tanta saudade.
Saudade de terra quente, de praia virgem.
Saudade do deserto árido e seco.
Saudade de festa pobre.
Saudade de coração nobre.
É também saudade de liberdade.
Liberdade que o próprio ser humano lhe vedou.
Liberdade esta, que a natureza lhe dera de presente, mas que pela pobreza de sua gente não pode subsistir.
Seu olhar sofrido e cansado denota angústia, fraqueza, solidão.
Seu corpo forte e rijo é culpado dessa escravidão.
Não sabe se chora, se ignora.
Força, não tem mais.
A reação é pouca.
Sente em cada hálito o inferno da escravidão.
Melhor esperar a morte, pois sorte, no meio de tanta injustiça, é esperar em vão.

3 comentários:

Viscondi disse...

Pat, que lindo poema.
Quanto à Minas, esta é A TERRA.
Não que porque eu sou de lá. Mas porque é A TERRA.

Roberson disse...

ttBon voyage!

Amitiès.

Flávia disse...

Ai Pat, come um queijim com goiabada por mim! Mas tem que ser o queijim inteiro tá!
Eu adoro queijo com goiabada.
Beijoks