7.11.05

Meu sonho impossível

Viver, de forma consciente, pelo menos três vidas ao mesmo tempo.

Seria Nora. A romântica Nora, criada pela iludida classe média. O zelo de um lar amoroso fez crescer a vulnerável Nora. Não faria nada que pudesse por em risco sua segurança. Cursou pedagogia, jamais exerceu. Somente no piano encontrou a sintonia com sua alma. Agora, arrebatada por um amor viajante, jaz complacentemente entregue ao torpor dessa paixão.

Seria Antonina, cabocla de coxas grossas e sangue quente. Mulher guerreira. Vive no morro e trabalha de servente num edifício lustroso da Paulista. É mulher do nego Tucumba, com quem se enrosca num frenesi suado todas as noites. Perdeu um filho, menino ainda, para a marginalidade. Nunca mais o viu. Aos sábados, agita a imaginação dos homens e mata o nego de ciúmes no pagode.

Seria, também, Suzane. Mulher de destaque. Jornalista bem sucedida. Magistral com as palavras proféticas que cativam ouvintes atentos por todo o país. O mundo lhe cabe na palma da mão e seus pensamentos abraçam o Universo.

Seria assim. As alegrias e tristezas de cada vida seriam o alimento da minha alma múltipla. Viveria a plenitude de cada uma porque, consciente de não ser apenas uma, mas todas, não lamentaria jamais por experiências não vividas.

3 comentários:

Viscondi disse...

olá, pat estou te linkando no meu blog.Assim, compartilho com meus amigos os seus escritos, e, fica mais fácil te visitar todos os dias. OK?

Flávia disse...

Oi Pat. Não seja Nora não.
AHHH, já fiquei com pena, me fez lembrar aquela esposa do Beleza Americana, esposa do militar. Acho aquela mulher a coisa mais triste daquele filme todo.
Beijoks

Pat disse...

Viscondi,
Agradeço o link. Adoro o seu blog e coloquei no meu favoritos.

Flávia,
Esse texto me rendeu meu primeiro emprego como jornalista. Na época que eu escrevi, eu até que me identificava com as três personagens, mas agora a Nora, coitada, é carta fora do baralho. Bom, quem dera, às vezes, poder ficar complacentemente sem fazer nada.
beijos
pat