26.10.06

O que ando pensando sobre a eleição.

Graças a Deus não vou votar. Estarei fora da minha zona eleitoral e terei que justificar. Por quê? Porque a essa altura não sei em quem votar. Não sei mais quem fala a verdade. Não sei mais quem é o candidato melhor para o Brasil.
Acho nojenta essa propaganda onde se podem dizer meias verdades e levantar falsas afirmações. É nojento ouvir Lula investir tanto dizendo que Alckmin vai privatizar tudo, mas confesso que não renovei meus votos em FHC porque fiquei horrorizada com os exageros das privatizações da época. Ainda que abençoe o que fez pela telefonia.
Acho que Alckmin enche o saco com aquela imagem do dinheiro que é quase nada perto de tudo o que se rouba nesse país e, sabemos bem que muuuuuito podia ter sido feito nesse governo como nos 8 anos de governo PSDB para moralizar esse país. Pensei que PT seria a integridade em pessoa e cai de cara no chão.
É verdade também que gostaria de eleger um presidente culto, que fala outros idiomas, que nos represente bonito lá fora. Morro de vergonha de ouvir o Lula falando.
Para mim é verdade que o Brasil podia crescer muito mais, aproveitando os bons ventos da economia mundial. Que é ridículo o crescimento tacanho do Brasil e que se Lula tivesse enfrentado tantas crises econômicas como FHC enfrentou não teria feito um bom governo. Para mim é verdade que FHC trouxe o Brasil para a modernidade e pisou na bola com o Consenso de Washington. Prefiro me associar aos modelos de gestão europeus a simpatizar com os governos populistas da Venezuela ou Bolívia.
Entretanto, reconheço o trabalho fantástico do ministro Furlan e a abertura de novos mercados ignorados pelo Brasil de antes. Prefiro investir em novas tecnologias energéticas às termoelétricas.
Reconheço também que nunca nenhum outro governo fez tanto pelos menos favorecidos do que esse e foi por isso que eu tinha votado no PT da outra vez. Acho que FHC perdeu a melhor das oportunidades para fazer mais pelo nosso povo sofrido e, mesmo com o chamado assistencialismo desse governo, o povo come melhor. Droga Gente! Vamos ser francos. A gente nada sabe sobre o que seja a dor de não ter o que dar para um filho comer. Tenho vergonha do Lula, mas tenho mais vergonha ainda de ver gente nossa passando fome. Enfim, estamos pagando o preço de nunca termos feito, de fato, algo pelo “povão” que é hoje grande maioria e que está exercendo o seu DIREITO de escolher o que seu estômago e seu fraco conhecimento são capazes de reconhecer como a melhor opção.
Agora o que me entristece mais é incapacidade de aceitarmos a escolha de cada um. Detesto essa separação, reforçada por essa eleição, entre ricos e pobres, elite e povo, esquerda e direita, certos e errados, burros e arrogantes. A falta de tolerância é um perigo sério e de graves conseqüências.

24.10.06

Impunidade

Hoje li no blog do Marcelo Coelho um post do qual peguei só um pedaço, mas que foi capaz de me fazer parar para pensar.

“Para quem teve sua formação política no tempo do regime militar, a profissão de prestígio, no campo do Direito, era unicamente a de advogado. Havia certa antipatia com quem “gostasse de prender gente”: promotores, juízes, delegados, estavam de alguma forma associados á famosa “repressão”, e naqueles tempos de pensamento ultraliberal, a própria idéia de punir alguém tinha algo de retrógrado, de arbitrário...”

Fiquei imaginando se essa é uma das inexplicáveis razões para que nós brasileiros sejamos tão tolerantes com a impunidade nesse país. Será?

22.10.06

Domingo tranquilo

Tem dias que a gente fica feliz. Nada de especial acontece, apenas toma consciência de que a vida é boa como ela é ou está. A filha brincando na casa da amiguinha, um entardecer revigorante de primavera, o marido assistindo São Paulo X Grêmio na TV e eu assistindo com ele, aninhada. Dá o intervalo, ele vai preparar um lanchinho para nós dois. A casa está em ordem, o jardim viçoso até demais - já é hora de chamar o jardineiro - a gata preta dormindo no sofá toda esticada. Resolvi ver o que o pessoal anda escrevendo por aí. Consigo ouvir ao fundo alguns passarinhos aproveitando as últimas horas da tarde, um ou outro cachorro dando um latido perdido, procurando amigo para conversar. Ouço também, bem distante, um grupo animado cantado Feliz Aniversário para completar o dia especial de alguém. Mais alguns minutos e vou buscar a filhota. Motivo para puxar uma conversa com a Sandra, a outra mãe, que deve ter tido um dia bem parecido ao meu. Acabando o jogo, vamos caminhar. Além do silêncio, ar puro, há lindas casas e jardins para apreciar. Não é difícil cruzar com outras famílias passeando, então, como bons vizinhos desconhecidos, deixamos um sorriso e uma boa tarde para cada um. Assim, tudo tão gostoso e tranqüilo que fico até com preguiça de começar a semana.

15.10.06

Vale a pena ler

Tem hora que balanço...
Trechos da coluna de Kennedy Alencar, na folha on line. Tenho achado bem interessante o que ele tem para falar.

Em: Lula faz um bom governo (25/08)
Quando eleito presidente em outubro de 2002, Luiz Inácio Lula da Silva disse numa conversa informal que tinha três grandes decisões a tomar: impedir um desastre na economia, resgatar parte da dívida social e não errar na política ao montar uma base de apoio no Congresso.
No atacado, Lula acertou nas questões econômica e social. Apesar de críticas pontuais, o Brasil melhorou nessas áreas. Um dos principais motivos foi Lula ter dado continuidade e ampliado políticas que tiveram início no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Na articulação política, porém, o petista patrocinou um desastre.
Lula tem feito um bom governo. O Brasil não virou uma maravilha em quatro anos. Mas os mais pobres realmente foram beneficiados pelo controle ainda mais rigoroso da inflação e por políticas de descompressão social. A principal promessa de 2002 foi cumprida.

Em: Eleição não está decidida (13/10)
Bolsa de apostas
Se Lula for reeleito, o deputado Delfim Netto (PMDB-SP) é candidato a entrar no governo. No mínimo, como assessor especial. Delfim, ministro de administrações da ditadura militar de 1964, tem sido um dos conselheiros econômicos do presidente.

.... Quando lá em cima, a gente dá um tempo para refletir, logo abaixo a gente pensa que o Lula não anda mesmo em boa companhia.

O melhor do brasileiro


Os brasileiros são craques em inventar e percorrer caminhos para lá de criativos para encontrar uma saída para seus problemas. Em um país com tanta desigualdade e um número alarmante de desempregados, a imaginação das pessoas impressiona. O conhecido “jeitinho brasileiro” fala da coragem e disposição de um povo que não espera, corre atrás. É tão famoso, que muitas vezes se conhece muito mais o lado negativo dessa qualidade: a malandragem, infração ou corrupção.
Mas há o "Bom jeitinho brasileiro" que é o que muita gente faz por aí para ganhar a vida numa boa, sem levar vantagem em tudo (como reza Lei de Gérson). Esse bom jeitinho brasileiro é apresentado pelo Canal Futura. Se você não conhece deveria ver. É impossível não se apaixonar por cada um dos personagens e descobrir em quase todos a alegria de ser quem são. Pessoas humildes que não tomam a pobreza como desculpa. Eles não culpam o governo nem procuram sobreviver à base da piedade alheia. Numa rotina incansável, com um, dois, ou mais ofícios, essa brava gente brasileira mostra com quantos paus se faz uma canoa.
Assista que vale a pena:
Terça – 16h30
Terça – 20h30
Quarta – 22h30
Sexta – 01h00
Domingo – 15h00

Arte: Ladário ribeiro teles

9.10.06

Boa Vontade


Nos últimos dias tenho ouvido muito na dificuldade de Alckmin ganhar porque a grande maioria já tem o seu candidato e não vai mudar. Assim Alckmin tem que conquistar os votos dos indecisos, ou aqueles que votaram em Maria Helena ou Cristovam, que são mais de ESQUERDA.
Isso tem me perseguido alguns dias. Eu percebi que eu não sou mais de ESQUERDA, aquela esquerda associada à luta do proletariado por justiça social, igualdade de oportunidades, etc. Também não sou de DIREITA, neoliberalismo, de Estado enxuto e capitalista ferrenho onde cada um por si e que se danem os pobres. Ando pensando que nada disso existe mais. Não existe DIREITA, ESQUERDA, CENTRO.
Sabemos que assistencialismo gera vagabundagem, preguiça, não só aqui mas em país de primeiro mundo. Quem já viajou para a Europa sabe bem o que estou falando. Gente que tem todas as oportunidades e não faz nada para ser tudo aquilo que nós sofridos brasileiros sonhamos tanto em ser algum dia. Sabemos que a competitividade exacerbada massacra cada um e todo mundo em algum momento da vida. Se fraquejar, mané, dançou. E, quem de nós não tem momentos ruins.
Vivemos na era da informação. Sabemos que tudo é muito complexo e que a ciência sociológica, política, econômica já tem por resolvido que nenhuma nação vai longe sem uma série de políticas igualitárias, serviços públicos de qualidade, instituições sólidas, etc. Tanto estudo no mundo há centenas de anos e chegamos a grande sapiência do eficiente e simples BOM SENSO.
Não é o caso mais de esquerda versus direita. Qualquer candidato a cargo público hoje, no mundo inteiro, sabe muito bem o que é preciso para fazer uma nação crescer e melhorar a vida dos seus cidadãos. É apenas uma questão de boa vontade.

5.10.06

Religião e Espiritualidade



Estava escrevendo um comentário no blog da Issana e fui me alongando tanto que achei que merecia ser um post no pinkareta. Assim aqui estou para falar o que penso de religião e espiritualidade.
Minha mãe é livre pensadora, meu pai protestante e minha avó era uma respeitada nutricionista espírita, que tratava de doentes em parceria com um tio avó já falecido. Por muitos anos ela acompanhou, com sucesso, seus pacientes HIV com nutrição, carinho e boas dicas sopradas do lado de lá. Numa época que não existia o bem sucedido coquetel de medicamentos que há hoje em dia, ela conseguiu manter a boa saúde de seus pacientes.
Com essa boa mistura, eu me tornei uma curiosa sobre todas as religiões. Amo teologia e filosofia! Desde os 12 anos leio tudo que cai no meu colo, mais aquilo que minha curiosidade me levou a buscar. Se pararmos para pensar, o que somos e porque estamos aqui, deveria ser essa a nossa busca maior. Pelo menos nos dedicar a esse estudo tanto quanto nos dedicamos ao trabalho e à diversão.
Quando era adolescente, morava no campo e tinha tal intimidade com a natureza que sabia exatamente quando entrava uma nova estação. Claro que o tempo da natureza não obedecia exatamente ao calendário humano. O tempo tinha seu próprio tempo. Eu dizia para minha mãe: - Mãe, hoje está entrando a primavera, ou o outono, ou verão... Sinto no ar, no cheiro. Era assim mesmo, o dia amanhecia diferente e eu podia sentir isso. Passava a semana me sentindo em outra dimensão até que a nova estação firmava o pé.
Hoje confesso que não tenho muito tempo para isso. Mas minha alma aguarda pacientemente que eu retome meus contatos.

Passei mal!


Não estou planejando ficar atenta apenas a noticiários de política e eleição. Mas, não posso deixar de falar uma notinha sobre o lamentável apoio do Garotinho e Rosinha ao Alckmin. Acho que o cara pisou na bola, Alckmin, e acho até possível que ele tenha caido numa armadilha. Será que Michel Temer não podia aparecer sozinho para dar o apoio como presidente do PMDB? Não é estranho que Rosinha e Garotinha tenham corrido para dar o apoio... A banda podre do PMDB, que é uma grande vergonha para o partido. Par de bandidos que, acredito, pertencem ao crime organizado do Rio, ficaram ali sorridentes diantes dos cinegrafistas. Será que Alckimin não pode se antecipar e imaginar que o Brasil centrado, do equilíbrio, da integridade, o Brasil anti-corrupção não iria gostar de tal parceria?

2.10.06

O que mais teme o Presidente?


Domingo à noite, após a exultante conquista do segundo turno, fiquei pensando no que poderia estar perturbando o presidente LULA naquele momento. Claro que a coisa pegou e uma enorme dor de barriga estaria lhe corroendo o humor e a arrogância dos últimos dias. Pela primeira vez a idéia de que seu mandato de Presidente do Brasil estava com dias contatos lhe encheu de luz o cérebro. Deve ter sido um clarão ofuscante! Talvez, em poucas semanas, não haveria mais noites aconchegadas nos lençóis de algodão egípcio que cobrem a cama presidencial, nem cafés-da-manhã, ou drinks e qualquer outra refeição servida ao sabor do desejo do presidente. Nada de levantar o dedo e ser prontamente atendido por batalhões de empregados ou de receber amigos para churrascos feitos com a melhor carne, cerveja importada e o prazer pessoal de oferecer, sem titubear, os vinhos das mais famosas adegas do mundo.
Ai, ai... Isso deve ter abalado os ossos do presidente....
Andar majestosamente pelos palácios apreciando obras de arte nunca vistas pelos milhões de brasileiros que lhe paga o salário, já era. Horas e horas mergulhado em leituras inspiradas em qualquer um dos milhares de livros da biblioteca presidencial, nunca mais, se é que já foi algum dia!
A triste possibilidade de imaginar que, de janeiro em diante, suítes presidenciais dos melhores hotéis do mundo teriam que ser pagos do próprio bolso só pode ter feito o Lula passar mal. Por mais rico que se seja, viagens desse calibre, são para poucos. Que dizer dos passeios internacionais em seu airbus novinho em folha, recepcionado pelas maiores autoridades do mundo?
Acho que a essa altura ele começou a suar frio...
Pensei no palácio do planalto, porque presidente tem que trabalhar também. Mas que dizer das reuniões que aconteciam em suntuosas salas, com o que há de melhor em serviços, equipamentos de última geração e profissionais qualificados disponíveis num piscar de olhos. Gente competente que estava a sua disposição para fazer desse país o maior da América Latina, não o penúltimo na agenda do crescimento.
Nada mais de segurança para si e seus familiares. Plantou, colheu... Segurança agora só se for da vontade dos ladrões a solta. É claro que ele ainda pode morar num condomínio fechado, mas se sair na rua tá na mão de Deus, como todos nós.
Acabou a verba secreta para despesas de representação, vestuário e sapatos de grife internacional e tudo aquilo que você pode imaginar se deixar sua mente vagar por aí. Mesmo que você nunca tenha tido o privilégio de ser o presidente de um país, viver como o maior dos magnatas e ter tido a oportunidade de construir uma nova nação, saberá imaginar mordomias inimagináveis.
Assim fui me deitar, nos meus lençóis comuns, na minha cama comum. Fiquei imaginando se ele estaria apavorado porque não haveria mais tempo para corrigir as injustiças desse nosso pobre país, ou se estaria em pânico por perder a vida de rei que todos nós lhe proporcionamos nos últimos anos.
É gente.... o Presidente, com certeza, viveu uma noite de horrores. Eu, que dessa vez não votei nele. Dormi o sono dos justos.

imagem: Nos fundos do Palácio do Alvorada, a piscina olímpica, com sistema de aquecimento- Revista Quem

Brasil Esperança


Dizem que o brasileiro não sabe votar. Pode ser, já que elegeu, mais uma vez, Paulo Maluf, Fernando Collor e outros congressistas sob suspeitas de favorecimento ilícito nos diversos escândalos que assolam o país. Mas, pelo menos, foi em busca do segundo turno, para obrigar o seu presidente a comparecer aos debates e prestar os devidos esclarecimentos à nação. O já-ganhou-e-não-precisa-dar-satisfações-a-ninguém, que é o retrato da pura arrogância, recebeu um tapa na cara e, quem sabe, isso lhe serviu para que se vista de alguma humildade, qualidade importante para quem representa uma nação de milhões de habitantes.
Senhor LULA, você tem, SIM, a obrigação de vir à nação e apresentar seus planos de governo, se quiser ser reeleito, principalmente porque diversas das promessas da campanha anterior não foram cumpridas. Você tem a obrigação, SIM, de prestar contas à nação, porque você é um funcionário público a serviço dessa nação. Você tem a obrigação, SIM, de respeitar o eleitor que lhe deu e talvez ainda venha lhe dar um voto de confiança. Torça para que haja alguém, porque eu, nunca mais!
Para mim, Senhor LULA, que votei no senhor na eleição passada, só restou a vergonha de reconhecer que nada mudou e, se todos os partidos são iguais, pelo menos prefiro um presidente instruído que represente o Brasil com distinção. Que volte a “elite” ao poder que é um exemplo melhor a ser seguido pelos nossos filhos, senão a elite financeira, pelo menos a elite cultural, cientifica e acadêmica, sim senhor.
Gostaria de finalizar mandando um recado para o Critovam Buarque. Senador, pode não parecer, mas você plantou uma importante semente. Não dá mais para discutirmos desigualdade com base na economia, quem tem o capital ou não. Daqui para frente a referência, para o bem do futuro da nação, deve ser a educação, quem tem acesso, ou não, ao conhecimento.