22.12.05

Feliz Natal 2006


Queridos amigos
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já é Natal... Quando se vê, terminou o ano...
Será que já é tarde para construir um mundo melhor?
Nunca! Porque o momento é agora. Tudo o que existe de fato é esse momento. O Ontem, que é passado e o Amanhã, que é futuro são pérolas da imaginação. Tudo o que temos é este momento e ele lhe basta para se sentir em paz, feliz e cheio de esperança.
No próximo ano não se perca nas amarras do passado, nem em sonhos do futuro, pois ele só se realiza no presente. Esteja alerta a cada instante e veja que o mundo que construímos hoje, na fé, na alegria e na presença, será o mundo que sempre sonhamos.

Feliz Natal e próspero ano novo, aqui e agora.

16.12.05

Lembranças da infância



Essa imagem eu peguei no Blog do Viscondi. As fotos que ele posta são sempre inspiradoras. Quando vi essa imagem deixei um comentário que foi quase uma revelação para mim. Disse lá que Levei muito tempo para descobrir a delícia de tricotar com uma amiga. Nessa vida sempre estive em companhia dos homens ou sozinha. Cresci no campo, cercada de silêncio. Minha mãe (minha amiga) sempre foi uma mulher prática. Nunca a vi perder horas se arrumando, nem se permitindo luxos femininos. Maquiagem passou ao largo. Meus irmãos, homens, eram minhas melhores companhias, ou melhor, os amigos dos meus irmãos. Minhas lembranças soltas no mato são de muita conversa interior, profunda comunhão com a natureza, ou brincadeiras de polícia e bandido no bosque, escaladas de árvores e morros, mountain bike (quando isso nem existia de fato), montaria e jogo de futebol americano no campo da Coudelaria do Exército, que ficava vizinho à chácara. Sempre cercada de moleques, eu era boa de luta. Não porque fosse truculenta, mas porque, pequena e franzina, eu me dava o direito de fazer cócegas, dar umas mordidas ou puxões de cabelo. Muito justo já que não podia ganhar pela força bruta. Eu era uma garota legal e os meninos estavam sempre a me chamar para a bagunça. No futebol americano, por exemplo, eu podia pular sobre o adversário e dizer: - Me dá a bola, Carlos! Ganhava a bola e saia correndo até a base final. Afinal, nenhum dos meninos tinha a coragem de se jogar sobre uma garota, por pura compaixão ou acanhamento, sei lá. Nunca vou saber. Enfim, privilégios de ser uma menina, entre garotos para lá de especiais.
Claro que eu tinha amigas na escola, mas o que poderia ser mais divertido do que fazer as coisas que meninos faziam? É claro, também, que eu senti falta da troca de confidências, troca de segredinhos sobre beleza, visita ao shopping com as amigas para andar por hoooooras olhando vitrines. Mas, mesmo na juventude, meus melhores amigos sempre foram homens. Só recentemente, mãe de uma menina, que percebi que se eu precisava conhecer melhor o universo feminino para poder passar isso para ela. Afinal, ela poderia ter o melhor dos dois mundos. Passei a fazer programas exclusivos com as amigas, sair ao shopping e finalizar a tarde num café falando de maridos e filhos. Uma delícia! Trocar receitas ou passar a tarde com uma amiga que é designer de moda e deixar que ela faça umas roupas divinas para mim, então, nem se fala! Entrar numa loja de cosméticos juntas e experimentar perfumes e escolher maquiagem. Simplesmente, fantástico! Um ti, ti, ti gostoso e musical... Risadas e fofocas (saudáveis, por favor!). Cumplicidade feminina... Nenhum homem pode imaginar como isso é bom!
Ok! Não pensem que deixei de ser boa de luta. Ainda derrubo meu marido no gramado lá de casa, mesmo que continue a precisar fazer uso de mordidas, cócegas e puxões de cabelo.

15.12.05

Solidariedade: A mais bela face do ser humano



Há dois momentos mágicos na vida em que podemos ser profundamente tocados e que nos fazem acordar para as coisas que verdadeiramente importam.
Um desses grandes momentos acontece quando temos a oportunidade de ajudar alguém. Somos muitas vezes surpreendidos com o bem estar, quase que inexplicável, que vem ao nosso encontro quando resolvemos socorrer outra pessoa. Tudo fica mais bonito e nos sentimos leves, de bem com nós mesmos e com a nossa posição no mundo.
O outro grande momento, nós o vivemos quando temos a oportunidade de estar do outro lado dessa experiência. Quando alguém estende seus braços, de onde menos esperamos, para nos ajudar. É um momento difícil porque estamos vulneráveis, mas, descobrir que não estamos só é um agradável sentimento que nos conforta a dor. É como um milagre que vem, especialmente, bater à nossa porta.
Nessas ocasiões, é comum dizer ou escutar, que não há palavras para agradecer, mas nem é preciso, pois quem dá e recebe ajuda vive uma emoção que tem valor em si mesma.
A solidariedade aproxima os homens e dá sentido á vida.

12.12.05

Férias 2005

O posts de amigos são mesmo uma inspiração... Lendo o post da Sandra: Profissão Mulher, eu me diverti um bocado. A vida da gente é mesmo assim. Lembrei que estava ansiosa para a chegada das férias da minha filha. EU ia tirar férias da hora do banho, do uniforme passadinho em cima da cama, de estudar junto para as provas, de torcer pelo sucesso nas notas, de correr para a cozinha pontualmente às 11h00 e fazer um almoço gostoso (Isso nunca foi ruim... Adoro cozinhar), de sentar à mesa e cronometrar o tempo “perdido” na refeição...
- Vai filha, come logo.
- Come filha. Estamos atrasadas!
- Anda que ainda tem que escovar os dentes e o cabelo.
- Corre! Cadê o tênis? Pegou o casaco da escola? Vai fazer frio...
Minhas manhãs tão loucas iriam respirar aliviadas. Vou ia poder acordar com calma. Efetivamente trabalhar de manhã. Marcar reuniões com clientes sem o estresse do horário de pegá-la na escola.
Passear mais, nadar mais.
Bom... não sei o que aconteceu. As férias da escola chegaram, mas o meu tempo extra não. Vai ver que ficou perdido entre os livros e cadernos. Vou ter que procurar. Só espero que não tenha repetido de ano.
Ai.... Ai...

Pintura de Claudia Rabello

4.12.05

A história de um gato


O último post da Vanessa me lembrou de um fato fantástico envolvendo um gato.

Havia um gato de rua, enorme, que de vez em quando aparecia lá em casa para filar alguma bóia. Eu o chamava de Gatão. Ele trazia no corpo as marcas de muitas lutas, algumas bem profundas. Já havia perdido parte da orelha e tinha o couro cascudo. De tão surrado parecia velho, mas era ainda bonito e forte. Sua personalidade transpirava dignidade e coragem. Logo que mudei para lá tive o (des) prazer de conhecê-lo, pois ele precisava mostrar ao meu gato Dengo (que nome infeliz, feito para apanhar) quem era o dono da rua. Resolvi a situação fazendo um trato com ele. Ele não batia no meu gato dentro do meu território (minha casa e jardim) e, em troca, ganhava comida.

Um dia, da sacada da minha janela presenciei algo notável.O Gatão estava junto ao meu gato Dengo (que aprendeu rapidinho quem mandava na rua) na calçada do outro lado da rua. Algumas casas abaixo o vizinho soltou dois pastores para ficarem à rua um pouco. De cara imaginei o pior! Os cães, quando viram os gatos saíram em disparada na direção deles. O Dengo rapidamente atravessou a rua e correu para casa. O Gatão, não moveu um fio de pêlo sequer. Ficou ali parado, sentado, olhando os cachorros se aproximarem. Nunca vou entender o que se passou na cabeça dos cães, mas quando eles viram que o gato não correu, eles pararam no meio da rua e deram meia volta. Não sei se ficaram surpresos pela “não” ação inesperada do gato, ou se não acreditaram que aquilo estava mesmo acontecendo. Só lembro do gato, calmamente sentado, olhando para eles.

Eu respeitava aquele gato. Por sua coragem eu até que gostava dele. Por isso, quando ele sumiu por algumas semanas fiquei preocupada. Fiquei tão preocupada que nem no cinema deixei de pensar nele. Para minha surpresa, quando cheguei em casa, já bem tarde, encontrei-o deitado no meu sofá. Nunca havia entrado em casa antes. Assim o fez porque precisava de ajuda. Estava muito ferido. O rosto transfigurado por uma bicheira erupcionada e abaixo do braço encontrei um grande corte inflamado. Aquele animal, que nunca tinha permitido que alguém o tocasse, permitiu que eu limpasse suas feridas. Arrumei um canto para ele na área de serviço. Chamei um veterinário amigo e cuidei dele por semanas, sempre me perguntando se ele passaria a morar conosco depois disso. Quando ele ficou bom, voltou para as ruas onde havia um reinado a ser defendido.

Ps. Eu não tinha fotos do Gatão. Procurando uma imagem na internet achei a foto acima que me deixou assombrada pela coincidência. O Gatão era também preto e branco, mas um pouco maior.