22.11.05

Cheguei... cheguei


Minas é mesmo um encanto... Fomos apenas à Itajubá, que em si não tem nada de especial, apenas a praça central, gente boa, família e aquele deixa estar que vai contagiando a gente, devagarzinho, meio sem fazer força, até que você, no primeiro dia de volta ao mundo moderno, se vê na internet, procurando sítio para comprar lá para aquelas bandas.
Tem coisa mais bacana do que juntá a família e deixá a criançada brincando com os primo. Um corre prá cá, outro prá lá, pelo quintal de terra... Outro sobre na mangueira... Os cachorro tudo doido embaixo querendo subi tamém.
Daí, de tardezinha, vem aquele café quentinho com broa... Depois um passeio na praça para tomar sorvete. A filha pede picolé de amendoim... E não pense que o povo é atrasado, não! Pois as novidades também já chegaram lá e, na mesma praça, coexistem o bar antigo, com o tio dos picolés caseiros e a sorveteria self-service. Na caminhada pela praça a gente encontra mais gente conhecida nas mesinhas dos bares, bebericando cerveja e acompanhamentos (típicos ou cosmopolitas, ao gosto do freguês. Os da terra pedem batatinhas fritas , pizza aperitivo e os turistas língua fatiada ao molho especial)
No bar da esquina, o telão virado para a praça hipnotiza a maioria dos homens. É o futebol no sangue brasileiro... O som do narrador, comentaristas e gols são o plano de fundo do domingo à tarde, na praça central. Um som que está na minha memória de criança... Num sítio de casarão antigo e um avô sentado na varanda com o rádio ligado e o pé descalço no chão. O cafezinho no copo de vidro. E toda a coleção de Estadinho (quem lembra?) guardada com carinho para quando a neta chegar.
O universo caipira é tão rico e deixa mais saudades que todo o conforto tecnológico.

7 comentários:

Anônimo disse...

Estive em Itajubá.......em 2001.
tinha um documento mais ou menos 300 fls, para fazer xerox.
Em um local a funcionária com a marmita amarradinha em um pano xadrezinho de azul e branco , não podia fazer porque era muita coisa e ela já ia almoçar, rs rs como eu também já estava com fome senti uma vontade danada de pegar aquele almoço dela e comer todinho, pois pelo capricho do amarrado, eu tenho certeza que a comida estava ótima.
Fui para um cartório perto de uma praça e neste cartório fizeram uma junta de funcionários para providenciar os xerox... que eu precisava (documentos cedidos no INSS)disseram que trezentos fls. era muito.Aguardei todo o ritual pacientemente e amando a calma do povo, também cogitei comprar, ou alugar uma casinha lá.
Beijos, Deus te proteja.

Juliano disse...

Caipira
"O que eu visto não é lindo
Ando até de pé no chão
E o cantar de um passarinho
É pra mim uma canção
Vivo com poeira da enxada
Entranhada no nariz
Trago a roça bem plantada
Pra servir ao meu País
Sou, sou desse jeito e não mudo
Aqui eu tenho de tudo
E a vida não é mentira
Sou, sou livre feito um regato
Eu sou um bicho do mato
Me orgulho de ser caipira
Doutor eu não tive estudo
Só sei mesmo é trabalhar
Nesta casa de matuto
É bem vindo quem chegar
Se tenho as mãos calejadas
É do arado rasgando o chão
Se a minha pele é queimada
É o sol forte do sertão
Sou, sou desse jeito e não mudo
Aqui eu tenho de tudo
E a vida não é mentira
Sou, sou livre feito um regato
Eu sou um bicho do mato
Me orgulho de ser caipira
Enquanto alguns fazem guerra
Trazendo fome e tristeza
Minha luta é com a Terra
Pra não faltar pão na mesa
Às vezes vou à cidade
Mas nem sei falar direito
Pois caipira de verdade
Nasce e morre desse jeito
Sou, sou desse jeito e não mudo
Aqui eu tenho de tudo
E a vida não é mentira
Sou, sou livre feito um regato
Eu sou um bicho do mato
Me orgulho de ser caipira"

Tem coisa mió que sê caiiipira não, uai...

Forte abraço!

Pat disse...

Anônimo, "pelo capricho do amarrado" é uma linda expressão poética que deixa mesmo a certeza da comida gostosa ali escondida... Também me deu vontade de comer.
obrigada pela visita... da próxima vez deixe o seu nome. abraço
pat

Pat disse...

Juliano,
adorei o poema... ou seria letra de música?
É de sua autoria?
A vida caipiria é mesmo uma delícia, ainda mais na forma de poema. obrigada pela visita
beijos
pat

Flávia disse...

Oi Pat! Antes que me esqueça, pela história do anônimo aí, conheço bem a peça. É minha mãe! hihihi. D. Lurdinha, que para variar, esqueceu de assinar o comentário.
Eu adoro MG! Tá na alma essa "mineiridade". Não tem coisa melhor.
Beijoks

Anônimo disse...

Sá sinhora , nem anônima se consegue ser rsrsrs.
Isto chama ,invasão de privacidade.

Pat disse...

Querida Lurdinha anônima,
A Flávia te entregou...
É uma honra receber sua visita
abraço
pat